CHUVAS DEIXAM MAIS DE 2,4 MIL PESSOAS FORA DE CASA NO PARANÁ

 

Três pessoas morreram, duas continuam desaparecidas e mais de 11 mil imóveis permaneciam sem energia no Vale do Ribeira; trechos da BR-476 estão totalmente interditados



Da Redação | Por José Adão

As fortes chuvas que atingem o Paraná desde a última quarta-feira (9) deixaram um rastro de destruição em diferentes regiões do Estado. Conforme o levantamento divulgado na manhã desta segunda-feira (14), 2.468 pessoas precisaram deixar suas residências devido a alagamentos, enxurradas, deslizamentos e outros danos provocados pelos temporais.


O levantamento anterior da Defesa Civil contabilizava 13.762 pessoas afetadas em 58 municípios, com 2.640 residências danificadas. Naquele boletim, 2.057 moradores estavam desalojados — acolhidos em casas de parentes ou amigos — e 362 permaneciam desabrigados, dependendo de abrigos públicos.

Como os trabalhos de levantamento continuam nas cidades atingidas, os números podem aumentar ao longo das próximas horas.


TRÊS MORTES E DOIS DESAPARECIDOS
A tragédia também deixou três vítimas fatais em Ponta Grossa. Um casal de 21 anos e o filho de apenas 5 anos morreram depois que um barranco deslizou sobre a residência da família, no bairro Ronda. Os corpos foram encontrados soterrados sob terra, lama e escombros.


Em Rio Branco do Sul, duas pessoas continuam desaparecidas. Segundo as informações divulgadas, o veículo em que elas estavam foi levado pela correnteza quando o motorista tentou atravessar uma ponte submersa. O automóvel foi localizado no Rio Ribeira, mas as buscas pelos ocupantes prosseguem.


VALE DO RIBEIRA CONCENTRA SITUAÇÃO MAIS GRAVE
A situação mais crítica está no Vale do Ribeira, especialmente nos municípios de Cerro Azul, Adrianópolis, Tunas do Paraná e Doutor Ulysses. Há registros de rios transbordados, comunidades isoladas, estradas danificadas e interrupções no fornecimento de água, energia e internet.


Em Cerro Azul, o volume de chuva registrado somente nos primeiros dias de setembro ultrapassou o dobro da média histórica esperada para o mês inteiro. Até sexta-feira (12), o município havia acumulado 228,6 milímetros, enquanto a média mensal é de 105,6 milímetros.

Moradores de áreas de risco estão sendo retirados com o apoio da Defesa Civil e de equipes municipais.

MAIS DE 11 MIL IMÓVEIS SEM ENERGIA
Em boletim atualizado às 13 horas desta segunda-feira, a Copel informou que 11.134 unidades consumidoras ainda estavam sem energia elétrica no Vale do Ribeira:
7.432 em Cerro Azul;
2.424 em Adrianópolis;
880 em Doutor Ulysses;
398 em Tunas do Paraná.

A companhia conseguiu restabelecer o fornecimento para 743 imóveis da região central de Adrianópolis, incluindo áreas consideradas essenciais. Para realizar o atendimento emergencial, a subestação do município recebeu energia proveniente do Estado de São Paulo, por meio de uma operação conjunta entre a Copel e a Neoenergia Elektro.

Segundo a companhia, quedas de árvores de grande porte provocaram rompimento de cabos, quebra de postes e danos em equipamentos. As interdições e a destruição dos acessos rodoviários também dificultam a chegada de caminhões, máquinas e equipes aos locais atingidos.


BR-476 TEM INTERDIÇÕES TOTAIS
A Polícia Rodoviária Federal informou que três pontos da BR-476 permanecem completamente interditados:
km 6, em Adrianópolis, devido à erosão e ao comprometimento da pista;
km 14,5, também em Adrianópolis, após queda de barreira;
km 46, em Tunas do Paraná, devido a uma barreira que bloqueou a rodovia.

Não havia previsão para a liberação dos trechos. A orientação é para que os motoristas evitem a região e não tentem atravessar locais alagados ou pontos com movimentação de terra.

Com um dos principais acessos rodoviários comprometidos, Adrianópolis chegou a ficar isolada por terra pelo Paraná, restando uma rota de acesso pelo Estado de São Paulo.


ESTADO MONTA ESTRUTURA DE EMERGÊNCIA
O Governo do Paraná montou um Gabinete de Gestão Integrada para coordenar as ações de socorro, restabelecimento dos serviços essenciais e atendimento às famílias atingidas.

A operação reúne Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Científica, DER, Copel e outras instituições estaduais e municipais. O Exército Brasileiro também foi acionado para auxiliar na recuperação e liberação dos acessos.

O gabinete deverá permanecer mobilizado por dez dias, acompanhando a evolução do cenário e definindo novas medidas conforme a necessidade de cada município.


CHUVA PERDE FORÇA, MAS CUIDADOS CONTINUAM
Segundo o Simepar, a chuva começa a perder força, mas o tempo ainda permanece instável nesta segunda-feira, com possibilidade de pancadas isoladas, principalmente nas regiões Norte, Noroeste, Campos Gerais e Litoral.

As temperaturas devem cair ao longo da semana. Mesmo com a diminuição da chuva, permanece o risco de deslizamentos, quedas de barreiras e elevação de rios, pois o solo está encharcado.


A Defesa Civil orienta que a população não atravesse ruas, pontes ou rodovias cobertas pela água e deixe imediatamente imóveis que apresentem rachaduras, movimentação de terra ou risco de desabamento.

Os alertas podem ser recebidos gratuitamente por SMS. Basta enviar o CEP da residência para o número 40199. Também é possível cadastrar a localização pelo WhatsApp da Defesa Civil, no número (61) 2034-4611.

Fontes: Defesa Civil do Paraná, Governo do Paraná, Copel, Polícia Rodoviária Federal, Corpo de Bombeiros e Simepar.

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