DA REDAÇÃO | Por José Adão
Na próxima quinta-feira, dia 27, o Plenário da Câmara Municipal de Arapoti será palco de uma audiência pública decisiva. Em pauta, a autorização para a venda de um terreno pertencente ao Município — um tema que mexe com o orçamento, o planejamento urbano e o futuro da cidade.
Para ajudar a população a compreender o que está sendo proposto, o Voz do Povo preparou uma análise completa, reunindo pontos positivos, dúvidas, riscos e impactos que envolvem o PLO 2656/2025.
O Projeto de Lei Ordinária 2656/2025, que autoriza o Poder Executivo a vender um terreno público localizado na Rua Francisco Luiz Esteves, ao lado do Residencial Araucária.
A área total da matrícula chega a 35.277 m², sendo que 29.807 m² seriam colocados à venda por meio de Concorrência Pública. Uma parte de 5.470 m² permanece com o Município para futuras edificações públicas.
O projeto prevê valor mínimo de R$ 4.322.369,23, conforme laudo da Comissão Permanente de Avaliação de Bens. É exatamente esse ponto — o preço — que tem chamado atenção e gerado questionamentos entre moradores.
Para ajudar a população a compreender a proposta, o Voz do Povo preparou uma análise detalhada dos argumentos, dos potenciais benefícios e também dos riscos envolvidos.
O que diz o projeto PLO 2656/2025:
- Autoriza a venda de 29.807 m² do terreno municipal;
- A venda será por licitação (Concorrência Pública);
- O terreno não tem benfeitorias;
- Valor mínimo definido: R$ 4,32 milhões;
PRÓS da proposta
1. Reforço imediato ao orçamento
A alienação de um terreno ocioso gera um recurso financeiro grande de forma rápida.
Para projetos de grande porte — Parque Industrial, Parque de Exposições e Cemitério — esse dinheiro vem em boa hora.
2. Função social da propriedade
Um imóvel público parado, sem plano de uso e sem perspectivas de ocupação, realmente não cumpre função social.
Vender pode liberar a área para investimentos privados e desenvolvimento urbano na região.
3. Possibilidade de atrair empresas
A criação de um novo Parque Industrial tem impacto direto na economia: empresas, empregos, ISS, ICMS e renda circulando dentro do município.
4. Parque de Exposições: benefício ao agronegócio e turismo
Arapoti tem força no agro.
Um parque multieventos pode ampliar feiras, exposições, competições e atrair movimentação econômica.
5. Novo cemitério
A necessidade é real — o atual já opera próximo do limite.
Garantir área para um novo cemitério é uma demanda sensível e urgente.
CONTRAS e pontos que precisam ser discutidos pela população
Aqui é onde a análise pesa — e onde a audiência pública será decisiva.
1. Valor mínimo considerado baixo
- O terreno tem quase 30 mil m² em área urbana, situado ao lado de um bairro consolidado.
- Mesmo sem benfeitorias, o valor mínimo de R$ 4,32 milhões equivale a: R$ 145 por m² aproximadamente.
- Para comparação, terrenos urbanos em Arapoti com localização menos valorizada já ultrapassam isso em negociações privadas.
A dúvida é inevitável:
o valor mínimo deveria ser maior? O laudo avaliou corretamente o potencial urbano da área?
2. Falta de detalhamento sobre quem pode se interessar pela compra
Sem indicar possíveis usos futuros, a população fica sem saber qual impacto a ocupação privada trará para a região:
- Residencial?
- Condomínio fechado?
- Indústria?
- Galpões logísticos?
3. Risco de vender barato e comprar caro
O projeto diz que o dinheiro será usado para comprar novas áreas.
Mas:
- Onde seriam essas áreas?
- Já existe estudo de valor?
- Há risco de a Prefeitura vender barato e depois pagar mais caro em áreas privadas?
Justificativas oficiais dizem que a área é “sem uso imediato”.
Mas:
- Poderia ser usada para moradias populares sem depender de compra futura?
- Poderia ser destinada a equipamentos públicos?
- Poderia integrar novos projetos urbanos?
Essa discussão precisa ser transparente.
Conclusão: o projeto é importante, mas exige debate — e muita clareza
A proposta tem potencial para acelerar obras estratégicas para Arapoti.
Mas o valor mínimo, a falta de detalhamento futuro e a necessidade de mais transparência técnica tornam a audiência pública essencial.
A população precisa — e merece — entender exatamente:
Quanto custa a área;
Quem poderá comprar;
O que será feito com o dinheiro;
E se o Município está fazendo o melhor negócio possível.
O Voz do Povo estará acompanhando cada etapa.



















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