A cloroquina pode matar?

Estudo brasileiro reproduziu pesquisa feita na China.| Foto: Hector RETAMAL/AFP

Como o paracetamol ou o ácido acetilsalicílico (princípio ativo da aspirina), qualquer substância em excesso pode fazer mal a seres humanos ou até matar. 

Os brasileiros assistem com preocupação aos resultados de uma pesquisa realizada em Manaus (AM), mais precisamente no Hospital e Pronto-Socorro Delphina Rinaldi Abdel Aziz, em que foram utilizadas altas doses de cloroquina em pacientes graves, acometidos pela doença causada pelo novo coronavírus, a Covid-19. 

Não está confirmada ainda a causa mortis de 11 dos 81 pacientes que até agora aceitaram participar da pesquisa – provavelmente por meio de um termo de adesão assinado pelos familiares –, e muito menos se foi pelo uso da cloroquina. Apenas é certo que 7 deles, no sexto dia após tomar 600 mg de cloroquina a cada 12 horas (1.200 mg por dia), faleceram.

Em entrevista para a Gazeta do Povo, o responsável pelo estudo, o médico infectologista Marcus Vinícius Guimarães de Lacerda, pesquisador há 20 anos, vinculado a duas fundações reconhecidas internacionalmente pelos estudos sobre malária, a Oswaldo Cruz e a Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, explicou que ele queria reproduzir um estudo similar feito na China. 

Lá, os chineses usaram 500 mg de hidroxicloroquina (menos tóxica que a cloroquina) a cada 12 horas. Aqui, o médico diz ter usado 100 mg a mais porque seus pacientes eram obesos. E justificou o uso da cloroquina e não da hidroxicloroquina (mais fácil de ser metabolizada pelo organismo humano) porque, segundo ele, "a curto prazo cloroquina e hidroxicloroquina não apresentam toxicidade cardíaca; a cloroquina, somente em longo prazo, apresenta toxicidade ocular”.

A Gazeta do Povo foi o único jornal a ir atrás dos detalhes do estudo, para tentar entender o que aconteceu, a realidade nua e crua. Conversamos com médicos e cientistas que, apesar de criticarem o estudo e as altas doses (para pacientes graves), não quiseram ter seus nomes publicados porque o estudo ainda está sendo investigado.

Fonte: GAZETA DO POVO

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