Por Paulo Henrique Gomes.
Um levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta que o país deverá colher 238,4 milhões de toneladas da safra de grãos na safra de 2018/2019. Os principais produtos responsáveis por esses números são soja, milho, arroz e algodão, os granéis produzidos em maior escala no país.

Diante disso, podemos imaginar o volume de grãos transportados em todo o país entre os locais de produção e armazenamento dos produtos. Ao chegarem nos lugares onde passarão pelo processo de industrialização, que engloba seleção, limpeza e embalagem, os grãos precisam ser retirados dos caminhões em que são transportados para um reservatório conhecido como moega.

É o que explica o professor de eletromecânica da unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) de Minaçu, Jonhy Feitosa. “O projeto é voltado para ambientes que trabalham no armazenamento de grãos. A gente tem é o processo que faz o descarregamento dos caminhões, é uma espécie de elevador hidráulico gigante que eleva o caminhão e o caminhão vasculha esses grãos dentro do reservatório que a gente conhece como moega. E aí desse reservatório, para drenar os grãos eles usam um elevador que a gente conhece como elevador de caneca”, disse.

Nesse compartimento, os graneis passam por uma abertura afunilada e são transportados por uma esteira chamada de elevador de canecas até o local onde ficam armazenados.

A comporta é o equipamento responsável por controlar a quantidade de grãos que passam pelo elevador de canecas. O problema é que isso é feito de forma manual, portanto não existe controle na vazão dos materiais. E segundo Johny Feitosa, isso pode trazer vários prejuízos às empresas. “Isso aí gera uma série de problemas. Sobrecarga no elevador, faz com que queime o motor elétrico do elevador com frequência, perda de produção, eleva o custo de manutenção, gera riscos de acidentes que o operador vai estar em constante contato com uma comporta que tem um acionamento manual. E aí o projeto é voltado para resolver esse problema. Então o projeto é a automação do controle da abertura e do fechamento dessa comporta que faz o controle da vazão dos grãos”, defende.

Pensando nisso, o professor de eletromecânica da unidade do SENAI da cidade goiana de Minaçu, Jonhy Feitosa, desenvolveu ao lado dos alunos Flávio Silva, Artur Mendes e Júnior César Melo, um sistema que ao analisar a corrente elétrica do motor do elevador, controla a abertura e o fechamento da comporta para manter a carga do equipamento sempre no nível adequado.

Quando o elevador está sobrecarregado, a comporta por onde passam os grãos é fechada aproximadamente 10% a cada minuto. Quando a carga está baixa, o local é aberto cerca de 10% por minuto até encontrar a vazão de grãos ideal. Ao ser desligado, o elevador de canecas tem o local por onde os granéis passam fechado totalmente para evitar travamentos na partida do elevador.

Um dos alunos que participou do projeto, Flávio Silva, destaca a importância do trabalho em equipe realizado entre os alunos e os orientadores. “Foi um conjunto entre nós alunos e os orientadores. Nós reunimos, escolhemos a ideia, passamos cerca de um mês montando toda a parte financeira, toda a parte teórica. Acho que a gente decidiu isso em um mês e pouco, todo dia a tarde para poder montar todo o projeto”, afirma. O estudante também classificou a interação com outros cursos fundamental para o projeto ser bem-sucedido. “Teve a integração de outros cursos porque era necessário. Como era mais na parte elétrica, necessitava de pessoas da parte da mecânica para dar ideia, dar opinião também”, diz.

Mostra Inova
O projeto Comporta do Elevador de Canecas Automatizada foi selecionada para participar do Mostra Inova 2018. O programa do SENAI, classificou 50 projetos para a fase nacional, em duas categorias: Produto Inovador e Processo Inovador. Os classificados demonstraram seus projetos na Olimpíada do Conhecimento, realizada pelo SESI e SENAI, no mês de julho.

Os 25 projetos classificados na categoria Produto Inovador tiveram consultoria com profissionais especializados, aulas à distância e auxílio financeiro de até cinco mil reais para o desenvolvimento das ideias. Na categoria Processo Inovador, os selecionados contaram com consultoria, participaram de banca virtual, de aulas à distância e auxílio financeiro de até dois mil reais.

Ao todo, as escolas do SENAI, em Goiás, participaram da etapa nacional do Mostra Inova 2018 com seis projetos. 
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