A redução do tempo de campanha de 90 para 45 dias, a redução do horário eleitoral no rádio e na televisão de 45 para 35 dias e a criação do fundo eleitoral para financiar as campanhas em substituição às doações de empresas são algumas das explicações para a tendência de baixa renovação do Congresso Nacional em 2018. Esses dados fazem parte de um estudo do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, Diap.

As eleições de outubro têm número recorde de parlamentares candidatos à reeleição. Subiu a média histórica de deputados e senadores que tentam mais um mandato. Na Câmara, essa média, que era de 80 por cento, foi para 90 por cento. Já entre os senadores, dos 50 por cento que costumavam buscar a reeleição, esse ano serão 80 por cento. E a grande maioria deve mesmo ser reeleita. Os números fazem parte de um estudo do Diap, que apontou três motivos principais para a expectativa de baixa renovação do Congresso Nacional em 2018: a redução do tempo de campanha de 90 para 45 dias; a redução do horário eleitoral no rádio e na televisão de 45 para 35 dias e a criação do fundo eleitoral para financiar as campanhas em substituição às doações de empresas. O diretor de documentação do Diap, Antônio Augusto Queiroz, explica o porquê da decisão dos atuais parlamentares de disputarem a reeleição ao invés de um outro cargo no Executivo, por exemplo: 

ANTÔNIO AUGUSTO QUEIROZ: Porque é mais fácil conseguir a reeleição, porque reduziu o tempo de campanha, vão contar com recursos do fundo partidário e também vão contar com prioridade no horário eleitoral, diferentemente daqueles que aspiram ocupar essas vagas porque estes não terão as mesmas vantagens que têm os detentores de mandato. Por exemplo, eles tem emendas parlamentares. Só isso representa 25 por cento de vantagem. Tem estrutura de gabinete. Tem verba de gabinete. Tem serviços prestados e nome conhecido. 

O consultor do Senado, Arlindo Fernandes, também acredita que a redução do tempo de campanha ajuda a reeleição dos atuais deputados e senadores por serem mais conhecidos do eleitorado: 

ARLINDO FERNANDES: Aquele candidato que quer se fazer na campanha, o candidato novo, renovador e tal, ele passa a ter um pouco menos de tempo e passa a depender mais de outros recursos, especialmente hoje as redes sociais, a internet, etc. cria um embaraço, eu creio, para a necessária renovação da política esse encurtamento da campanha. 

O estudo do Diap aponta ainda que são poucas as pessoas, com vida profissional organizada, que se dispõem a concorrer a mandato eletivo, especialmente para a Câmara. Os custos de campanha e o comprometimento da imagem profissional são muito altos.
 
Da Rádio Senado, Maurício de Santi.
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