Mesmo com o relatório da CPI da Previdência informando que não há déficit no setor previdenciário, especialistas confirmam que o rombo no sistema é real. De acordo com o coordenador de Previdência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplica (IPEA), Rogério Nagamine, o prejuízo pode inclusive comprometer o investimento em outras áreas importantes para a população.

“Esse déficit, em 2016 chegou a 4,9% do PIB, decorrente de uma despesa que chegou à casa dos 13% do PIB. Os vários problemas relacionados a esse tipo de despesa e déficit incluem, desde risco de sustentabilidade, como por exemplo, estados atrasando pagamentos, como também acaba diminuindo o passo para outros gastos saciais ou mesmo investimento em infraestrutura.”

Durante sessões da CPI da Previdência, outro argumento usado contra a reforma é de que o rombo no setor irá sumir se os devedores pagarem a Previdência. Na opinião do economista do Departamento de Assuntos Fiscais e sociais do Ministério do Planejamento, Arnaldo Lima, a situação não é tão simples, já que os gastos com o benefício aumentaram muito nas últimas décadas.

“Nós temos hoje um déficit previdenciário. Ou seja, as receitas são maiores do que as receitas. Incluímos 14,6 milhões de pessoas nos últimos 17 anos, aumentamos o valor do benefício de R$ 274 para R$ 1.200 nesse período e a duração do benefício aumentou em quatro anos. Ou seja, estamos incluindo mais pessoas, por mais tempo e com um valor maior.”

Segundo projeção da Secretaria de Previdência do Ministério do Planejamento, o déficit da Previdência deve chegar a 181 bilhões de reais, este ano. Em 2016, o déficit do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), dos trabalhadores rurais e da iniciativa privada, alcançou o recorde de R$ 149,73 bilhões.

Reportagem, Marquezan Araújo
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