Juliana* Silva, órfã de pai e mãe, de 29 anos, cresceu envolta ao sonho de construir uma família. Conheceu Paulo*, ainda nova, no bairro que morava com o irmão e o avô, em Valparaíso, Goiás. Foram nove anos de discussões seguidas de agressões por parte de Paulo. Após a gravidez, Juliana acreditou que o marido se tornaria um homem compreensivo. Enganou-se. 

Com o nascimento da filha do casal, as agressões físicas eram uma rotina familiar. Nem a presença da pequena Lilian* (filha do casal), três anos, era motivo de intimidação para Paulo. Segundo Juliana, o estopim foi um sábado, em meados de março de 2016.

“Ele chegou em casa tarde, bêbado. E eu fui perguntar porque ele estava chegando daquele jeito, aquela hora. E ele passou para cima de mim com agressão. Me deu um mata-leão, eu tentando sair, minha filha gritando pedindo para parar e ele empurrava ela. E me deu chute na cabeça. Eu fiquei desacordada e ele jogou água gelada. Tentei revidar as agressões e nada adiantava. Não morri porque não era a hora.”

A história de Juliana engorda a triste estatística de mulheres vítimas de violência doméstica e sexual. No Brasil, a cada hora são 503 vítimas de agressão física, segundo o Datafolha. No DF, houve um crescimento substantivo das vítimas de violência no último ano. Até o mês de outubro, houve um registro de 97 estupros, contra os 56 casos do ano passado. Destes, 64 vítimas eram meninas com idade entre 10 e 14 anos.
 
A secretária-adjunta da Mulher, Igualdade Racial e dos Direitos Humanos do Distrito Federal, Márcia de Alencar, afirma que o próximo sábado, 25 de novembro, é o Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher, data em que se pretende atentar para a importância da denúncia contra o agressor.

“Isso acontece em 72% dos casos, dentro da própria casa das vítimas. Portanto, nós estamos falando de uma violência que é interfamiliar, uma violência afetiva, que está diretamente ligada a uma banalização da cultura de violência contra as mulheres. Todo esforço deste lema, desta campanha é exatamente romper com este ciclo de violência. A gente estabelecer uma atitude de respeito em relação às meninas e mulheres e poder afirmar a sua identidade.”

Hoje, existem dois números para denúncias de violência contra mulheres: o disque 100, voltado para meninas vítimas de abuso e exploração sexual, além do 180, para casos de violência doméstica. 

Reportagem, Karenina Moss

*Para a segurança da vítima, os nomes dos personagens foram modificados.
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