Dados da Associação Brasileira do Sono (ABS) mostram que até 30% das mortes ocasionadas em rodovias brasileiras são causadas por motoristas que dormem ao volante. Pensando nisso, o Departamento de Trânsito do Paraná (Detran) faz um alerta sobre os perigos de dirigir cansado e sonolento.

“Com o ritmo estressante e agitado do trânsito nas cidades e até mesmo a rotina pesada de caminhoneiro nas rodovias, os motoristas estão dirigindo cada vez mais cansados. Com sono, o condutor não consegue agir a tempo para desviar de uma batida ou corrigir a direção do seu veículo”, aponta o diretor-geral do Detran, Marcos Traad. 

Segundo a Neurologista da ABS, Marcia Assis, o estresse é um dos fatores que mais refletem na qualidade do sono e que podem trazer prejuízos no trânsito. 

“O estresse provoca um estado de hiperatividade em que os pensamentos estão acelerados e prejudicam o início do sono. Quando não dormimos o suficiente as nossas funções diárias, sejam sociais ou profissionais, ficam prejudicadas pela sonolência, alterações na memória e atenção. Dessa forma, ficamos mais sujeitos à acidentes graves”, explica. 

Para Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) dormir mal pode reduzir 50% a concentração do condutor no trânsito. Os motoristas e motofretistas que excedem horas de trabalho são considerados os mais vulneráveis ao sono na direção. 
ATENÇÃO - O sono costuma aparecer a cada doze horas devido à produção de um hormônio chamado melatonina. Existem vários sinais que indicam o sono e que os motoristas devem ficar atentos, como bocejar, ter dificuldades de manter os olhos abertos, sair da faixa de direção e começar a invadir a pista contrária. 

“Diversos medicamentos podem antecipar a sonolência, por isso, é importante que antes de ingerir a medicação esse fator seja levado em conta. Os especialistas recomendam que as pessoas tenham entre 7 a 9 horas de sono por noite. Entretanto, a variação desta quantidade de horas é variável de uma pessoa para outra, sendo assim, devemos obedecer uma rotina de horas de sono que seja suficiente para estarmos alerta e dispostos durante o dia”, lembra Traad. 

LEGISLAÇÃO – A Resolução 425/2012 do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) tornou mais rígido o exame médico para quem vai tirar ou renovar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). 

Todos os candidatos que pretendem conquistar habilitação de motoristas profissionais, registrados com as categorias C, D e E devem passar, além da avaliação cardiológica, auditiva, neurológica e oftalmológica, por uma avaliação específica para se detectar possíveis distúrbios do sono. 

Para tanto, é utilizada uma escala mundialmente aceita no setor científico, chamada escala de sonolência de Epworth. Nesta escala, o candidato irá responder sobre a chance de cochilar em situações corriqueiras. 

Caso haja indícios de apneia do sono, o médico do tráfego poderá solicitar avaliação com o médico especialista na área e o exame de polissonografia. Dependo do resultado, o tempo de validade da CNH pode ser reduzido ou a categoria reclassificada até que o condutor busque o tratamento.
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