As divulgações das delações premiadas dos envolvidos na operação Lava Jato, como as conversas entre Renan Calheiros, Fabiano Silveira e Sérgio Machado, expõem a necessidade de a Polícia Federal ser autônoma. É o que defendem os delegados da corporação. A PF é vinculada ao Ministério da Justiça, ou seja, é subordinada à Presidência da República e pode sofrer interferências políticas a qualquer momento.

Para o presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, Carlos Eduardo Sobral, as gravações que revelam pessoas importantes da política brasileira em supostas tentativas de conchavo contra o combate à corrupção são preocupantes. 

“Realmente, é muito ruim nós sermos surpreendidos, quase que diariamente, com revelações de manifestações gravadas por um dos interlocutores declarando, anunciando, a tentativa ou a intenção de paralisar a operação Lava Jato. Quando essas declarações são ditas por pessoas que ocupam o alto escalão do governo federal, inclusive na área de combate à corrupção, elas trazem um nível de preocupação ainda maior”.

A única forma de proteger a Polícia Federal de interferências políticas é o Congresso Nacional aprovar o Projeto de Emenda Constitucional, a PEC 412, que está tramitando na comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

O presidente da comissão, deputado federal Osmar Serraglio, do PMDB do Paraná, adiou a votação da admissibilidade da PEC, na semana passada. O presidente da ADPF, Carlos Eduardo Sobral, alerta que, sem a autonomia prevista na Constituição, a Polícia Federal vai continuar frágil para interferências políticas.

“A gente tem dito, várias vezes que nós não possuímos autonomia prevista na lei ou na Constituição para garantir que a Polícia Federal fique totalmente protegida de interferências políticas. Isso só vai acontecer quando nós tivermos a PEC 412 aprovada. Antes disso, nós ficamos, sim, sujeitos a ações que possam comprometer nossas investigações”.

Em todo país, uma carta do povo brasileiro está sendo assinada pela população para pressionar os congressistas a aprovarem a autonomia da PF.

No próximo domingo, dia 5 de junho, os delegados de Polícia Federal vão promover a primeira Corrida Contra a Corrupção, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Mais de mil e 300 pessoas devem participar da ação, que faz parte da Campanha Nacional Pela Autonomia da Polícia Federal, da ADPF.

Reportagem, Cristiano Carlo
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