Da Redação | Voz do Povo Arapoti
A Câmara Municipal de Arapoti se prepara para votar, em sessão extraordinária nesta quarta-feira (21), o Projeto de Lei Ordinária nº 2716/2026, que institui um auxílio-alimentação no valor de R$ 1.000 mensais para os servidores do Legislativo. A proposta, no entanto, tem causado forte indignação popular diante dos altos salários já pagos atualmente pela Casa.
Dados oficiais do Portal da Transparência, atualizados em janeiro de 2026, mostram que há servidores da Câmara Municipal com salários brutos que chegam a R$ 15.710,14, além de outros vencimentos elevados, muito acima da média salarial da população arapotiense.
Mesmo diante dessa realidade, o projeto prevê a concessão do auxílio a todos os servidores ativos, sejam efetivos ou comissionados, independentemente da jornada de trabalho.
Auxílio nasce alto, permanente e com reajuste
De acordo com o texto do projeto:
- o auxílio será pago mensalmente;
- inicialmente, o pagamento será feito em dinheiro (pecúnia);
- o benefício terá reajuste anual automático, no mesmo índice aplicado aos salários;
- o auxílio é classificado como indenizatório, não incidindo sobre impostos ou previdência;
- não há exigência de comprovação de despesas com alimentação.
Na prática, trata-se de um valor fixo garantido por lei, que tende a aumentar ao longo dos anos.
Desconexão com a realidade da população
Em Arapoti, milhares de trabalhadores sobrevivem com um ou dois salários mínimos, muitos sem qualquer tipo de benefício adicional. Para grande parte da população, despesas básicas como alimentação, transporte e moradia são custeadas integralmente do próprio bolso.
Diante disso, a criação de um auxílio-alimentação de R$ 1.000 para servidores que já recebem salários elevados é vista por muitos moradores como um tapa na cara da população e um privilégio institucional, especialmente em um momento em que o município enfrenta demandas urgentes em áreas como saúde, infraestrutura, estradas rurais e serviços básicos.
Votação em regime de urgência
Outro ponto que gera questionamentos é a forma como a proposta está sendo conduzida. O projeto entrou na pauta por meio do Ato do Presidente nº 0003/2026 e será votado em sessão extraordinária, em regime de urgência especial, com leitura, discussão e votação únicas.
Não houve audiência pública, consulta popular ou amplo debate com a sociedade antes da inclusão do tema na ordem do dia.
Legal, mas é justo?
A Voz do Povo entende que servidores públicos devem ser valorizados. No entanto, valorização não pode se confundir com privilégio, principalmente quando os salários já praticados estão muito acima da realidade da maioria da população que financia a estrutura pública por meio de impostos.
A pergunta que ecoa nas ruas é direta:
Era realmente necessário criar esse auxílio?
A legalidade do projeto pode até existir. A justiça social, no entanto, é questionável.
Em Arapoti, o povo acompanha, cobra e fiscaliza.
E a Voz do Povo segue fazendo o que sempre fez: Mostrar os fatos e dar voz à população.



















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