Atrasos no pagamento de financiamentos crescem e ampliam o desafio de manter as contas em dia e custear o próximo plantio.
Da Redação | Por José Adão
A dificuldade para pagar dívidas está aumentando no campo. A inadimplência no crédito rural com recursos direcionados para pessoas físicas chegou a 9,69% em agosto de 2026, ante 5,23% no mesmo mês do ano passado. Os dados do Banco Central foram reunidos em reportagem publicada pelo Portal Sou Agro nesta terça-feira (20). A alta foi de 4,46 pontos percentuais em um ano.
O indicador considera a parcela do saldo dos financiamentos com prestações atrasadas há mais de 90 dias. Portanto, não significa que 9,69% dos produtores rurais estejam inadimplentes, nem representa todas as modalidades de financiamento do agronegócio.
Para quem já tem compromissos vencidos, conseguir dinheiro para sementes, fertilizantes, defensivos e outros gastos da próxima safra se torna um desafio maior. Parte da receita esperada com a colheita pode estar comprometida com dívidas anteriores.
O aperto financeiro também aparece nos pedidos de recuperação judicial. Como referência desse cenário, levantamento da Serasa Experian divulgado em março mostrou que o agronegócio brasileiro encerrou 2025 com 1.990 solicitações, aumento de 56,4% em relação a 2024. A pesquisa reúne produtores pessoas físicas, pessoas jurídicas e empresas da cadeia agropecuária.
O Paraná registrou 248 pedidos em 2025, ficando atrás de Mato Grosso, com 332, e Goiás, com 296. Esses números correspondem a solicitações apresentadas à Justiça, e não a falências ou recuperações já aprovadas.
Para o novo ciclo, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma produção brasileira de 367,1 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27, crescimento de 1,4%. A estimativa foi divulgada em 15 de outubro e depende do desenvolvimento das lavouras.
Em regiões agrícolas como os Campos Gerais e o Norte Pioneiro, dificuldades financeiras nas propriedades podem repercutir nas compras de insumos, na contratação de serviços e no comércio. Essa é uma possível consequência do cenário nacional; os levantamentos apresentados não informam uma taxa específica de inadimplência para Arapoti e os municípios vizinhos.
Com informações do Portal Sou Agro/Pensar Agro, Serasa Experian e Conab.

































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