EL NIÑO AUMENTA RISCO DE EXCESSO DE CHUVA PARA A AGROPECUÁRIA DO PARANÁ

Embrapa recomenda atenção especial com drenagem, erosão, doenças e planejamento da colheita; soja, milho, trigo, pastagens e silvicultura estão entre as atividades mais expostas

Foto: Luiz Henrique Magnante


Da Redação | Por José Adão

A chegada do El Niño 2026/2027 exige cuidados diferentes em cada região brasileira. No Paraná e nos demais estados do Sul, a principal preocupação é com a possibilidade de chuvas mais intensas e concentradas, sobretudo entre setembro e dezembro.


O alerta consta em material divulgado nesta terça-feira (6) pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). As orientações foram elaboradas por um grupo coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, com a participação de aproximadamente 50 profissionais da Embrapa e especialistas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Ao todo, foram definidas 163 medidas destinadas a reduzir os possíveis impactos do fenômeno sobre a agropecuária brasileira.


IMPACTO DIRETO SOBRE A PRODUÇÃO REGIONAL
As orientações merecem atenção dos produtores de Arapoti e dos municípios vizinhos devido à importância regional das lavouras de soja, milho e trigo, além da produção leiteira, das pastagens, da horticultura e da silvicultura.

Segundo a Embrapa, o excesso de chuva pode provocar encharcamento do solo, erosão, perda de nutrientes e dificuldades para realizar o plantio, a aplicação de insumos e a colheita.

A maior presença de nuvens também pode reduzir a quantidade de radiação solar recebida pelas plantas, interferindo no desenvolvimento das culturas e no enchimento dos grãos.

Outro risco está relacionado à elevada umidade e ao prolongamento do período em que as folhas permanecem molhadas. Essas condições favorecem o aparecimento e a disseminação de doenças nas lavouras.

Temporais acompanhados por rajadas fortes de vento também podem causar acamamento de plantas e danos em lavouras, pomares, florestas comerciais e estruturas das propriedades rurais.

SOJA E MILHO EXIGEM BOA DRENAGEM
Para as áreas de soja e milho, a Embrapa recomenda manter o solo protegido, ajustar o período e a densidade de semeadura, intensificar o monitoramento de doenças e assegurar o escoamento adequado da água.

No caso do milho, uma das orientações é dividir a aplicação da adubação nitrogenada. O parcelamento pode reduzir a perda de nutrientes carregados pela água das chuvas.

A recomendação não significa suspender o plantio, mas adequar o manejo às condições de cada propriedade e acompanhar as previsões meteorológicas antes das principais operações no campo.


TRIGO PODE ENFRENTAR DOENÇAS E ACAMAMENTO
As lavouras de trigo e de outros cereais de inverno também estão entre as mais vulneráveis. A umidade excessiva pode aumentar a ocorrência de doenças, provocar o acamamento das plantas e dificultar a colheita.

Entre as medidas recomendadas estão a utilização de cultivares mais resistentes, o escalonamento da semeadura, a manutenção da cobertura do solo e o monitoramento constante das lavouras.

Também é importante planejar com antecedência a colheita, a secagem e o armazenamento dos grãos. Períodos prolongados de chuva podem reduzir as janelas disponíveis para a retirada da produção do campo.

SOLO COBERTO É UMA DAS PRINCIPAIS DEFESAS
Para o pesquisador Ernestino Guarino, da Embrapa Clima Temperado, uma das expressões mais importantes para enfrentar o El Niño é “solo coberto”.

A palhada reduz o impacto direto das gotas da chuva e ajuda a diminuir a erosão. Práticas como curvas de nível e terraços também contribuem para aumentar a infiltração da água e evitar que ela escorra com força pela lavoura, carregando solo e nutrientes.

Essas medidas são úteis tanto nos períodos de excesso quanto nos momentos de falta de chuva, pois contribuem para conservar a umidade dentro da propriedade.


PASTAGENS E PRODUÇÃO LEITEIRA
Nas pastagens, o excesso de umidade pode reduzir a qualidade da forragem, aumentar a compactação do solo e dificultar a entrada dos animais e das máquinas.

O pisoteio em terrenos encharcados pode danificar a pastagem e comprometer sua recuperação. Por isso, a orientação é preservar a cobertura vegetal, evitar o uso excessivo das áreas mais úmidas e reduzir a formação de pontos de alagamento.

A situação também pode interferir na rotina das propriedades leiteiras, principalmente no acesso aos piquetes, na produção de forragem e na conservação das estradas internas.


SILVICULTURA TAMBÉM PRECISA DE ATENÇÃO
Em regiões com grandes áreas de reflorestamento, como Arapoti e municípios próximos, o risco não está relacionado somente ao excesso de água no solo.

A Embrapa recomenda acompanhar os avisos meteorológicos e adotar medidas preventivas diante da possibilidade de tempestades e ventos fortes, capazes de provocar quedas e danos em áreas florestais e na infraestrutura rural.


PREVISÃO REGIONAL NÃO É GARANTIA DE CHUVA EM TODOS OS MUNICÍPIOS
As orientações divulgadas pela Embrapa abrangem toda a Região Sul. Isso não significa que Arapoti e os demais municípios paranaenses receberão o mesmo volume de chuva.

Os impactos dependerão da distribuição das precipitações, das características do solo, do estágio de desenvolvimento das culturas e do manejo adotado em cada propriedade.

A recomendação é acompanhar informações de fontes oficiais, como Embrapa, Inmet e Simepar, além dos alertas da Defesa Civil.


EVENTO APRESENTARÁ MEDIDAS PARA O SETOR
As medidas de prevenção e adaptação serão apresentadas em um evento on-line promovido pela Embrapa e pelo Ministério da Agricultura. A transmissão está marcada para sexta-feira, dia 9 de outubro, das 10h às 11h30.

O encontro contará com a apresentação do panorama climático, das notas técnicas destinadas às cinco regiões brasileiras e de orientações para produtores, técnicos e demais profissionais do setor agropecuário.

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