CHUVAS ACELERAM PLANTIO NO PARANÁ, MAS EXCESSO DE UMIDADE PREOCUPA PRODUTORES DE TRIGO


Foto: José Adão/Voz do Povo.

Da Redação | Por José Adão

As chuvas registradas durante setembro melhoraram a umidade do solo e favoreceram o começo da safra de verão 2026/27 no Paraná. Entretanto, o mesmo volume de água que beneficia a implantação da soja e do milho também exige atenção dos produtores de trigo, especialmente nas áreas próximas da colheita.


A situação aparece no Boletim de Monitoramento Agrícola da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e nos dados atualizados nesta semana pelo Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral).

O levantamento da Conab analisou as principais regiões produtoras entre os dias 1º e 21 de setembro. Segundo a companhia, o Paraná esteve entre os estados que receberam precipitações acima da média climatológica durante o período.


CHUVAS FAVORECEM O PLANTIO DA SOJA
Com o encerramento do vazio sanitário em diferentes regiões do Paraná, os produtores começaram a colocar as máquinas no campo. A umidade acumulada no solo criou condições favoráveis para a germinação e o desenvolvimento inicial das plantas.

O relatório mais recente do Deral, elaborado com informações referentes a segunda-feira (28), mostra que o Paraná já havia semeado aproximadamente 1,6 milhão de hectares de soja.

Esse volume representa 28% dos 5,74 milhões de hectares previstos para a cultura na safra 2026/27.

Todas as áreas de soja já implantadas foram classificadas pelo Deral em boas condições. Aproximadamente 58% estavam em germinação e 42% em desenvolvimento vegetativo.

O ritmo, porém, apresenta grande diferença entre as regiões. Enquanto o Núcleo Regional de Toledo já havia plantado 95% da área estimada, o plantio estava apenas começando nos Campos Gerais.

No Núcleo Regional de Ponta Grossa, que reúne municípios da região, apenas 1% dos 552,2 mil hectares previstos havia sido semeado até o levantamento. Foram aproximadamente 5,5 mil hectares plantados.

Essa diferença acontece porque as condições de temperatura e o calendário agrícola não são iguais em todo o estado. Nas regiões mais frias, como os Campos Gerais, o plantio normalmente começa mais tarde.


MILHO ESTÁ MAIS ADIANTADO NOS CAMPOS GERAIS
A implantação da primeira safra de milho está bem mais avançada. Em todo o Paraná, o plantio chegou a 72% da área estimada, correspondendo a aproximadamente 266,3 mil dos 371 mil hectares previstos.

No Núcleo Regional de Ponta Grossa, a semeadura atingiu 90% dos 72,8 mil hectares programados. Cerca de 65,5 mil hectares já estavam plantados.

Segundo o Deral, 90% das lavouras de milho acompanhadas na região apresentavam boas condições e 10% estavam classificadas em situação média. A maior parte encontrava-se em desenvolvimento vegetativo.

A Conab observa que, de maneira geral, as chuvas foram favoráveis à implantação do milho no Paraná. Porém, períodos prolongados de solo encharcado podem dificultar a entrada das máquinas e atrasar os trabalhos em algumas propriedades.


FEIJÃO TAMBÉM AVANÇA
O plantio do feijão da primeira safra alcançou 39% da área prevista no Paraná. Dos 88,2 mil hectares estimados, aproximadamente 34,4 mil já estavam semeados.

Na região de Ponta Grossa, o avanço era maior: 60% dos 20,9 mil hectares previstos já haviam sido plantados. As áreas acompanhadas foram classificadas majoritariamente em boas condições.


EXCESSO DE UMIDADE EXIGE ATENÇÃO NO TRIGO
Se a chuva auxilia as lavouras de verão, ela representa preocupação para o trigo que se aproxima da colheita.

A Conab informa que os produtores paranaenses estão ajustando a colheita aos intervalos de tempo firme para tentar preservar a qualidade dos grãos. O excesso de umidade pode dificultar a operação das máquinas, favorecer doenças e afetar o peso e a qualidade industrial do cereal.

Em situações mais severas, o trigo maduro pode começar a germinar ainda na espiga. No Paraná, porém, os dados atuais mostram situações diferentes entre as regiões, não permitindo afirmar que toda a produção tenha sido prejudicada.

O estado cultivou aproximadamente 726,6 mil hectares de trigo nesta temporada. Até segunda-feira, 62% da área havia sido colhida.

Das lavouras que ainda permaneciam no campo:63% estavam classificadas em boas condições;
29% apresentavam condição média;
7% estavam em situação ruim.


SITUAÇÃO NOS CAMPOS GERAIS
No Núcleo Regional de Ponta Grossa, a área de trigo soma aproximadamente 86,8 mil hectares. A colheita havia alcançado somente 10% até o levantamento.

Apesar das chuvas, 85% das lavouras que ainda estavam no campo foram classificadas em boas condições e 15% em condição média. Não havia área registrada como ruim.

Entre as lavouras ainda não colhidas, 35% estavam em maturação, 55% em frutificação e 10% em floração.

Os números mostram que o excesso de umidade representa um risco real, principalmente para as áreas maduras, mas ainda não confirma uma perda generalizada nos Campos Gerais. O impacto definitivo dependerá do comportamento do clima e da possibilidade de entrada das colheitadeiras durante os períodos de tempo firme.


CHUVA AJUDA, MAS REGULARIDADE SERÁ DECISIVA
Para as lavouras recém-implantadas, o principal benefício das precipitações é a recuperação da umidade do solo. A água auxilia na germinação das sementes e reduz o risco de falhas na formação inicial das plantas.

Por outro lado, chuvas frequentes e volumosas podem interromper a semeadura, causar erosão, dificultar a aplicação de defensivos e provocar compactação em operações realizadas com o solo muito úmido.

Por isso, o começo favorável da safra não garante sozinho bons resultados. A produtividade dependerá da distribuição das chuvas, das temperaturas e das condições registradas durante todo o ciclo das culturas.

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