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| Imagem: Voz do Povo |
Da Redação | Por José Adão
A história de Arapoti não começou somente ao redor dos trilhos da ferrovia. Antes de a Estação Cachoeirinha ser construída na Fazenda Capão Bonito — ponto que daria origem ao crescimento da atual cidade — uma comunidade já preservava sua fé, trabalho, costumes e tradições: o Cerrado das Cinzas.
É essa memória que agora ganha registro no livro “Cerrado das Cinzas e Suas Histórias”, lançado nesta quinta-feira (14), na Igreja Nossa Senhora do Carmo. A obra foi construída pelos alunos do 8º ano do Colégio Estadual do Campo Cerrado das Cinzas, sob supervisão dos professores Divair Silva e Sirlene.
Mais que uma produção escolar, o livro se tornou um documento de pertencimento. São os próprios estudantes registrando as raízes de sua comunidade, ouvindo relatos, reunindo lembranças e garantindo que histórias contadas por pais, avós e moradores antigos não desapareçam com o tempo.
Em entrevista ao Voz do Povo, o professor Divair Silva explicou que, conforme a tradição preservada pelos moradores, o povoado do Cerrado das Cinzas teve início após a chegada da imagem de Nossa Senhora do Carmo à localidade. A devoção à santa passou a reunir famílias e se consolidou como um dos pilares da comunidade, que até hoje tem na capela e nas festividades religiosas uma forte referência de identidade. A presença da Capela Nossa Senhora do Carmo é reconhecida como marco histórico e religioso da região. Campos Gerais do Paraná
Divair também relatou uma das explicações mais conhecidas para o nome da comunidade. A região possuía mata de cerrado e, segundo moradores antigos, a primeira passagem de tropeiros pelo local teria ocorrido justamente em uma Quarta-Feira de Cinzas. Da união entre a paisagem e aquele episódio teria surgido o nome que permanece até hoje.
Mas o tropeirismo desta região tinha uma característica própria. Não era o transporte de gado que movimentava aqueles caminhos, e sim a condução de porcos. Em uma época em que a suinocultura tinha grande peso econômico nos Campos Gerais e no Norte Pioneiro, a atividade gerava renda, trabalho e circulação de mercadorias, ajudando a sustentar inúmeras famílias.
O professor ainda trouxe uma curiosidade que ajuda a entender a formação de Arapoti. Segundo ele, o Cerrado das Cinzas tinha tudo para se tornar o principal núcleo urbano da região. O rumo da história mudou quando a ferrovia não passou pela comunidade.
A Estação Cachoeirinha foi construída na Fazenda Capão Bonito. Com a chegada dos trilhos e do trem, a população começou a se aproximar da estação. Vieram o comércio, os serviços, novas famílias e o crescimento que, ao longo dos anos, formaria a cidade de Arapoti.
Por isso, o livro lançado pelos alunos tem um valor que vai além de suas páginas. Ele relembra que, antes da cidade crescer em torno da estação ferroviária, o Cerrado das Cinzas já tinha vida, já tinha fé, já tinha trabalho e já tinha história.
“Cerrado das Cinzas e Suas Histórias” é uma homenagem à comunidade e, principalmente, uma lição de futuro: um povo que conhece suas origens sabe valorizar o lugar onde vive.






















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