SEM O EMBATE ESPERADO, AUDIÊNCIA SOBRE O HOSPITAL 18 DE DEZEMBRO TEM RESPOSTAS FIRMES E EXPÕE PROBLEMAS NO ATENDIMENTO


Da Redação | Por José Adão

No início da noite desta quarta-feira (5), o plenário da Câmara Municipal de Arapoti recebeu a tão aguardada audiência pública sobre o atendimento prestado pelo Hospital 18 de Dezembro.

A expectativa criada nas últimas semanas era de que o encontro promovesse uma espécie de “raio X” da instituição, expondo problemas, esclarecendo dúvidas e apresentando respostas à população. Também havia grande expectativa em torno de um possível embate entre os vereadores de oposição e a direção do hospital.

No entanto, o confronto político esperado não aconteceu.

A audiência seguiu de maneira produtiva e em um tom muito mais tranquilo do que aquele observado em discussões anteriores na Câmara. A direção do Hospital 18 de Dezembro foi questionada pelos vereadores, respondeu com firmeza e demonstrou segurança e convicção nas informações apresentadas.


PLENÁRIO LOTADO, MAS COM POUCA PRESENÇA DA POPULAÇÃO
Embora o plenário estivesse lotado, a maioria dos presentes era formada por profissionais ligados ao Hospital 18 de Dezembro, entre técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos. Também participaram servidores municipais e representantes da imprensa.

Por outro lado, poucas pessoas da comunidade compareceram para acompanhar as discussões e cobrar melhorias no atendimento. Justamente a população, principal interessada nos serviços prestados pelo hospital, teve participação reduzida na audiência.


RESPOSTA REPETIDA E, DESTA VEZ, ACEITA
Entre os assuntos novamente levantados esteve a classificação de gestantes negras e pardas como pacientes de alto risco.

O mesmo tema já havia sido explicado pela secretária municipal de Saúde, Andréa Cristina da Silva, durante participação anterior na Câmara e também em entrevista concedida ao Voz do Povo.

Na audiência desta quarta-feira, a direção do hospital apresentou uma explicação no mesmo sentido daquela já fornecida pela secretária. Desta vez, porém, a resposta aparentemente foi considerada satisfatória pelos vereadores.

A situação chamou a atenção porque um questionamento que anteriormente gerou dúvidas e cobranças acabou esclarecido com praticamente a mesma resposta que a Secretaria Municipal de Saúde já havia apresentado.


O “LEÃO DA TRIBUNA” ESTAVA TRANQUILO
Outro ponto que chamou a atenção foi a postura do vereador Cleyton Garcia, o Cleitinho.

Conhecido pelos discursos fortes e pelo tom incisivo adotado na tribuna em outras ocasiões, o vereador participou da audiência de maneira mais calma. Fez poucos questionamentos, mas sem o mesmo tom de enfrentamento que costuma usar nas suas manifestações sobre o hospital.

A expectativa de um confronto direto entre Cleitinho e os representantes da instituição acabou dando lugar a uma conversa mais serena, baseada em poucas perguntas e muitas respostas.

Isso não diminui a importância da audiência. Ao contrário: o encontro possibilitou que os questionamentos fossem feitos publicamente e que a direção do hospital apresentasse suas explicações.


HOSPITAL AINDA TEM MUITO A MELHORAR
As respostas apresentadas durante a audiência não significam que o Hospital 18 de Dezembro esteja livre de problemas. Existem pontos importantes que precisam ser revistos para melhorar o atendimento e oferecer mais dignidade aos pacientes.

Um deles é a situação dos banheiros. As condições e a estrutura desses espaços precisam receber atenção, principalmente porque o hospital atende diariamente pacientes, acompanhantes, idosos, gestantes e pessoas com limitações de mobilidade.

Outro problema é a ausência de um sistema de som que alcance também a área externa. Em dias de grande movimento, muitas pessoas não conseguem permanecer dentro do hospital devido à superlotação e aguardam do lado de fora.

Como não ouvem quando seus nomes são chamados, surgem atrasos, desencontros e discussões que poderiam ser evitados com uma medida relativamente simples.


AGENDAMENTOS PARA AS 7 HORAS CONTRIBUEM PARA A SUPERLOTAÇÃO
Parte da superlotação, no entanto, não pode ser atribuída exclusivamente ao hospital.

Os encaminhamentos para exames são realizados pela Secretaria Municipal de Saúde e muitos pacientes recebem a orientação para comparecer ao Hospital 18 de Dezembro às 7 horas, independentemente do horário em que serão efetivamente atendidos.

Há casos em que o médico inicia os atendimentos somente por volta das 9 horas, mas o paciente é orientado a chegar duas horas antes. Com isso, dezenas de pessoas permanecem durante horas nas dependências da instituição, aumentando a lotação e o desconforto.

O problema pode ficar ainda maior quando, por volta das 6h30, chega um ônibus de outro município transportando aproximadamente 40 pacientes. Quem mora em Arapoti e comparece às 7 horas pode encontrar todos esses pacientes aguardando atendimento à sua frente.

Dependendo dos procedimentos realizados, a espera pode avançar para além do meio-dia. Assim, pessoas que poderiam chegar mais tarde são obrigadas a permanecer praticamente o dia inteiro no hospital.

Essa concentração de pacientes em um único horário provoca superlotação, insatisfação e reclamações. Também cria um cenário em que toda a responsabilidade acaba recaindo sobre o hospital, embora parte da desorganização tenha origem no sistema de encaminhamento e agendamento da Secretaria Municipal de Saúde.


DESORGANIZAÇÃO TAMBÉM ALIMENTA O DISCURSO POLÍTICO
Quando dezenas de pessoas são chamadas para o mesmo horário, mas atendidas ao longo de toda a manhã ou até durante a tarde, a insatisfação é inevitável.

O paciente que chega às 7 horas e espera durante várias horas não quer saber qual órgão realizou o agendamento. Para ele, o problema está no hospital onde permanece aguardando.

A situação gera reclamações legítimas, mas também abre espaço para discursos políticos e para que vereadores façam média com a insatisfação da população, muitas vezes direcionando toda a cobrança ao hospital sem considerar a responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde na organização dos encaminhamentos.

Fiscalizar é obrigação dos vereadores. Mas uma fiscalização séria precisa identificar onde o problema realmente começa e cobrar cada instituição pela parcela de responsabilidade que lhe cabe.

AUDIÊNCIA FOI PRODUTIVA, MAS PRECISA GERAR RESULTADOS
Apesar de não apresentar o embate que muitos aguardavam, a audiência pública cumpriu uma função importante ao colocar frente a frente vereadores e representantes do Hospital 18 de Dezembro.

A direção da instituição não se esquivou dos questionamentos e respondeu com firmeza aos assuntos apresentados. Aos vereadores, coube cobrar explicações e avaliar as respostas.

Talvez não tenha acontecido o espetáculo político que alguns imaginavam. Mas houve algo mais importante: a possibilidade de esclarecimento público.

Agora, a audiência precisa produzir resultados. O hospital deve avaliar as melhorias necessárias em sua estrutura e na comunicação com os pacientes. A Secretaria Municipal de Saúde, por sua vez, precisa rever a forma como agenda e encaminha dezenas de pessoas para o mesmo horário.

A solução não está apenas em descobrir quem deve receber a culpa. Está em organizar o atendimento para que o paciente não seja obrigado a esperar durante horas por um procedimento que poderia ser marcado para um período mais próximo do horário em que será realizado.

Uma audiência pode responder perguntas. Mas somente mudanças práticas poderão reduzir a superlotação, as reclamações e o desgaste enfrentado diariamente pela população.

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