CAPAL E OUTRAS SEIS COOPERATIVAS ASSUMEM ESMAGADORA DE SOJA EM UNIÃO HISTÓRICA NO PARANÁ

Complexo instalado em Ponta Grossa tem capacidade para processar 3,4 mil toneladas de soja por dia; cooperativas envolvidas reúnem aproximadamente 57 mil produtores

Imagem ilustrativa — Capal e outras seis cooperativas passaram
a operar conjuntamente a Esmagadora Campos Gerais, em Ponta Grossa.



Da Redação | Por José Adão

A Capal Cooperativa Agroindustrial passou a integrar um dos maiores projetos de industrialização do agronegócio paranaense. Ao lado de outras seis cooperativas, a instituição participa da operação da Esmagadora Campos Gerais, instalada em Ponta Grossa.


O empreendimento reúne Capal, Frísia, Agrária, Coasul, Integrada, Castrolanda e Bom Jesus. A união está sendo apresentada pelas cooperativas como o maior projeto de intercooperação já realizado no Paraná.

Juntas, as sete organizações representam aproximadamente 57 mil cooperados, 16 mil colaboradores e 2,1 milhões de hectares cultivados. O faturamento anual somado ultrapassa R$ 47 bilhões.

A participação da Capal tem significado especial para Arapoti, município onde a cooperativa foi fundada e mantém sua sede. O movimento amplia sua atuação na industrialização da soja e fortalece a presença dos produtores ligados à cooperativa em uma das maiores estruturas de processamento de grãos do estado.


PRODUÇÃO COMEÇOU NO INÍCIO DE AGOSTO
O complexo industrial pertencia à multinacional Louis Dreyfus Company, conhecida internacionalmente pela sigla LDC. A estrutura foi assumida oficialmente pelas cooperativas no dia 1º de agosto e iniciou a produção sob a nova gestão no dia 3.

A apresentação conjunta do projeto aconteceu no dia 17 de agosto, durante um encontro com o governador do Paraná, Ratinho Junior, e representantes das sete cooperativas participantes.

A Frísia ficará responsável por liderar a gestão da esmagadora, aproveitando sua experiência em outros projetos de intercooperação desenvolvidos no Paraná.


3,4 MIL TONELADAS DE SOJA POR DIA
A Esmagadora Campos Gerais está instalada em uma área de aproximadamente 58 hectares e conta com uma ampla estrutura para recepção, beneficiamento, armazenamento e industrialização dos grãos.

A unidade possui capacidade estática para armazenar 300 mil toneladas e pode processar cerca de 3,4 mil toneladas de soja por dia.

O complexo conta com área de preparação da soja, extração de óleo e farelo, degomagem, envase de lecitina e refinaria. Aproximadamente 200 trabalhadores atuam na unidade.

A estrutura permitirá transformar a soja recebida dos produtores em diferentes produtos de maior valor comercial.

Entre os principais itens produzidos estão o óleo de soja degomado, destinado principalmente à fabricação de biocombustíveis, e o farelo de soja, utilizado na alimentação animal e comercializado nos mercados brasileiro e internacional.

A unidade também poderá produzir lecitina e casca de soja, produtos utilizados pelas indústrias de alimentos e de nutrição animal.


AGREGAÇÃO DE VALOR À PRODUÇÃO
Na prática, a participação na esmagadora permite que as cooperativas avancem além do recebimento e da comercialização do grão.

A soja poderá ser industrializada e transformada em óleo, farelo, lecitina e outros produtos. Esse processo agrega valor à produção e amplia as possibilidades de comercialização nos mercados interno e externo.

Para os produtores cooperados, a industrialização representa a possibilidade de participar de uma cadeia produtiva mais completa, que começa no plantio e segue até a fabricação de produtos destinados a diferentes setores da economia.

O empreendimento também fortalece a capacidade das cooperativas paranaenses de competir em um mercado tradicionalmente ocupado por grandes empresas nacionais e multinacionais.


O QUE É INTERCOOPERAÇÃO?
A intercooperação ocorre quando duas ou mais cooperativas unem estruturas, recursos e conhecimento para desenvolver projetos de interesse comum.

Em vez de cada cooperativa realizar individualmente um investimento de grande porte, as instituições dividem responsabilidades, custos, experiências e resultados.

O modelo já é conhecido nos Campos Gerais. Capal, Castrolanda e Frísia mantêm projetos conjuntos por meio da Unium, responsável pela industrialização e comercialização de produtos lácteos, carnes e trigo.

Agora, a participação de sete cooperativas na Esmagadora Campos Gerais amplia esse modelo para o processamento industrial da soja.


CAPAL AMPLIA SUA PARTICIPAÇÃO NO AGRO PARANAENSE
Fundada em Arapoti em 1960, a Capal vem ampliando sua presença no Paraná e em São Paulo. Em 2026, a cooperativa também incorporou a Coopagrícola, passando a atuar em novas unidades nos municípios de Ponta Grossa, Palmeira, Ivaí, Ipiranga e Irati.

Com a incorporação e os investimentos realizados em diferentes áreas, a Capal ultrapassou a marca de 4 mil produtores cooperados e ampliou sua estrutura de recebimento e armazenamento de grãos.

A entrada na Esmagadora Campos Gerais representa mais um passo nesse processo de expansão.

Além de aumentar a participação da cooperativa na industrialização da soja, o empreendimento fortalece o cooperativismo como uma alternativa para que os produtores rurais ganhem escala, tecnologia e maior presença no mercado.

A união das sete cooperativas demonstra que o setor está buscando novas formas de transformar a produção agrícola dentro do próprio estado, gerando valor antes que os produtos sejam enviados aos mercados nacional e internacional.

Postar um comentário

0 Comentários











ARAPOTI WEATHER