| Foto: Divulgação C. I. S. Arapoti (Centro Integrado de Saúde) |
Da Redação | Por José Adão
O Hospital 18 de Dezembro deixou de ser apenas uma unidade de atendimento aos moradores de Arapoti e passou a ocupar uma posição de destaque na saúde regional. Nesta quarta-feira (5), às 18 horas, a estrutura, os serviços prestados, o contrato de gestão e os projetos de ampliação do hospital serão debatidos em audiência pública no plenário da Câmara Municipal.
Promovido pelo Legislativo, o encontro será aberto à população e deverá representar uma oportunidade não apenas para apresentar reclamações, mas também para conhecer a verdadeira dimensão dos serviços realizados pelo hospital e discutir, com responsabilidade, aquilo que ainda precisa ser melhorado.
Atualmente, além dos moradores de Arapoti, o Hospital 18 de Dezembro recebe pacientes encaminhados de municípios como Jaguariaíva, Wenceslau Braz, Piraí do Sul, Ventania, Tibagi e Ponta Grossa. A unidade também já recebeu pacientes provenientes de cidades mais distantes, inclusive de Foz do Iguaçu.
Essa procura demonstra que o hospital conquistou importância muito além dos limites do município. A própria Prefeitura já havia divulgado que a unidade recebe pacientes de dezenas de cidades paranaenses, especialmente por meio de procedimentos realizados no Centro Cirúrgico. A estrutura também oferece atendimento em diferentes especialidades.
Demora no atendimento gera reclamações
Uma das principais reclamações apresentadas pela população está relacionada ao tempo de espera no setor de urgência e emergência. Muitos pacientes questionam por que determinadas pessoas, mesmo chegando depois, são chamadas antes para o atendimento médico.
Parte dessa situação está relacionada ao Protocolo de Manchester, sistema de acolhimento e classificação de risco utilizado nos serviços de urgência e emergência. Nesse modelo, o atendimento não acontece necessariamente pela ordem de chegada, mas conforme a gravidade do quadro apresentado por cada paciente.
Ao chegar ao hospital, o paciente passa por uma avaliação na qual são considerados sintomas, sinais vitais e possíveis riscos. A partir dessa análise, é estabelecido o nível de prioridade. O Paraná adota o Protocolo de Manchester como referência para a classificação de risco nos serviços de saúde, justamente para assegurar que os casos mais graves sejam atendidos em tempo adequado. Portanto, alguém que chega depois pode ser chamado antes caso apresente maior risco clínico. Secretaria de Estado da Saúde do Paraná
Na prática, uma pessoa com uma lesão de menor gravidade pode aguardar mais tempo do que um paciente com sinais de infarto, dificuldade respiratória, perda de consciência ou outra condição considerada grave. Embora essa inversão na ordem de chegada cause indignação em quem está esperando, a prioridade médica deve ser sempre salvar vidas e evitar o agravamento dos casos mais urgentes.
Isso, no entanto, não significa que toda demora esteja automaticamente justificada. Mesmo os pacientes classificados como menos urgentes precisam receber informações claras, acompanhamento durante a espera e atendimento dentro de um prazo adequado. A audiência poderá ajudar a população a compreender como o protocolo funciona e, ao mesmo tempo, permitir que a direção explique a demanda recebida, a composição das equipes e os motivos das esperas prolongadas.
Hospital precisa ser defendido e melhorado
O debate não deve transformar uma instituição tão importante em alvo de ataques generalizados. Falhas precisam ser apontadas, reclamações devem ser ouvidas e eventuais problemas precisam ser corrigidos. Mas também é necessário reconhecer os avanços alcançados e o papel regional assumido pelo Hospital 18 de Dezembro.
A unidade é oficialmente identificada no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde como prestadora de serviço especializado de urgência e emergência. O Ministério da Saúde também relaciona o hospital entre as unidades paranaenses de referência para atendimento relacionado a diferentes tipos de acidentes com animais peçonhentos. Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, Ministério da Saúde
A audiência desta quarta-feira deverá tratar da prestação dos serviços e das demandas da população, do contrato vigente de gestão, das melhorias e ampliações previstas para os próximos anos e de outros assuntos relacionados ao funcionamento do hospital.
Será o momento de apresentar questionamentos, cobrar esclarecimentos e propor melhorias, mas também de compreender que o Hospital 18 de Dezembro atende uma demanda que ultrapassa as fronteiras de Arapoti.
Fiscalizar é necessário. Cobrar melhorias é um direito. Mas preservar e fortalecer uma estrutura que se tornou referência para tantos municípios também é responsabilidade de toda a comunidade.
































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