| Foto: José Adão| Arquivo Voz do Povo |
Por José Adão – Voz do Povo Arapoti
A Câmara Municipal de Arapoti se prepara para votar, em sessão extraordinária marcada para esta quarta-feira, dia 21 de janeiro, o projeto que institui um auxílio-alimentação de R$ 1.000 mensais aos servidores do Legislativo. A convocação consta no Ato do Presidente nº 0003/2026, que inclui o tema na ordem do dia em regime de urgência especial.
Uma decisão que, embora amparada pela legalidade, escancara um problema antigo e recorrente: o distanciamento entre o poder público e a realidade de quem vive do próprio suor.
É preciso dizer com clareza: os servidores da Câmara já possuem salários considerados altos quando comparados à média da população arapotiense. Em uma cidade onde milhares de trabalhadores sobrevivem com um ou dois salários mínimos, muitos sem qualquer benefício, criar um auxílio desse valor soa menos como valorização e mais como privilégio institucional.
Não se trata de demonizar o servidor público. Trata-se de bom senso. Alimentação é uma despesa básica, inerente à vida de qualquer cidadão. Quando um poder cria um benefício específico para custear algo que a esmagadora maioria da população paga do próprio bolso — e com salários bem menores — o sinal enviado à sociedade é, no mínimo, preocupante.
O projeto prevê ainda:
- pagamento independente da jornada de trabalho;
- início do benefício em dinheiro, e não por cartão;
- reajuste anual automático, no mesmo índice aplicado aos salários.
Ou seja: o auxílio nasce alto, permanente e com garantia de aumento.
Enquanto isso, a população enfrenta dificuldades na saúde, na infraestrutura urbana e rural, nas estradas e em serviços básicos. O cidadão aperta o cinto. O poder público, não.
A pergunta que fica é simples e direta:
Era realmente necessário criar esse auxílio neste momento?
Legal pode ser. Justo, não parece.
O papel da imprensa é questionar. O papel do cidadão é fiscalizar. E o papel do Legislativo deveria ser dar o exemplo, especialmente em tempos de tantas demandas reprimidas no município.
Em Arapoti, o povo observa. E não esquece.

















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