CEMITÉRIO DOS ESCRAVOS DE ARAPOTI VIRA TEMA DE PROVA DA UEPG — E HISTÓRIA LOCAL GANHA DESTAQUE ESTADUAL

 

Foto: Divulgação.

Da Redação | Por José Adão – Voz do Povo Arapoti

A história de Arapoti atravessou as paredes de sala de aula e ganhou espaço no Vestibular Seriado (PSS3) da UEPG, realizado no último domingo.


Entre os textos da prova, um chamou atenção dos candidatos da região: o que abordava o Cemitério dos Escravos da Fazenda Boa Vista, um dos poucos resquícios materiais da escravidão ainda preservados no Paraná.

E de repente, um tema que por muito tempo ficou restrito à memória de famílias descendentes e pesquisadores virou pauta estadual — trazendo à tona uma parte da nossa história que não pode ser esquecida.


Um patrimônio histórico que resiste ao tempo
Localizado a cerca de 32 km do centro de Arapoti, o cemitério guarda sepulturas de pessoas escravizadas nos séculos 18 e 19 — vidas apagadas pelo regime, mas lembradas pela terra que ainda guarda seus nomes, suas histórias e sua dignidade.

A antiga Fazenda Boa Vista, onde também havia casa grande, capela e estruturas coloniais, foi construída com mão de obra escravizada. Com o passar das décadas, o abandono e a falta de investimentos quase apagaram esse capítulo.


Mas, em 2018, um acordo entre proprietários e o Ministério Público permitiu que o local fosse cadastrado como sítio arqueológico no Iphan, garantindo sua proteção. Hoje, a Associação Quilombola Família Xavier, formada por descendentes diretos de pessoas escravizadas na fazenda, mantém viva a memória do lugar.

A importância de o tema aparecer no vestibular
Quando a universidade escolhe um texto sobre o Cemitério dos Escravos, ela não está apenas preparando uma questão de português.


Ela está fazendo o que toda instituição de ensino deve fazer: dar visibilidade à história real, às dores reais e às famílias reais que construíram esse estado. Para muitos estudantes, foi a primeira vez que ouviram sobre esse cemitério. Para outros, foi o reconhecimento de uma história que estava aí o tempo todo — mas nunca havia ganhado o destaque merecido.

É um gesto de memória, um compromisso com a verdade histórica. E, principalmente, um convite para que Arapoti e o Paraná olhem para esse passado com respeito e responsabilidade.


Por que isso importa para Arapoti?
✔ Fortalece a preservação histórica do município
✔ Dá visibilidade a uma herança cultural que quase foi apagada
✔ Reforça a luta das famílias quilombolas por reconhecimento
✔ Estimula jovens estudantes a conhecer a própria região
✔ Valoriza a história dos Campos Gerais no cenário estadual

Aparecer na prova não é apenas um detalhe.
É o símbolo de que nossa história — dura, sofrida e verdadeira — está sendo estudada, compreendida e preservada. E isso, meu amigo, é memória que resiste.



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